Quando o INSS reconhece que você tem valores atrasados a receber — seja por uma revisão de benefício, concessão de aposentadoria via ação judicial ou correção de cálculo —, surge a dúvida prática: afinal, como é pago os atrasados do INSS e em quanto tempo esse dinheiro efetivamente cai na conta? A resposta depende do valor da condenação. Créditos de até 60 salários mínimos por autor são pagos via RPV (Requisição de Pequeno Valor), com prazo legal de 60 dias corridos após a requisição. Já valores acima desse limite entram na fila dos precatórios federais, com regras orçamentárias específicas definidas pela EC 136/2025.
Na prática, o pagamento é feito por depósito judicial em conta vinculada ao processo, liberado ao beneficiário por meio de alvará após o trânsito em julgado e a expedição do ofício requisitório pelo TRF competente. O montante é corrigido por IPCA acrescido de juros simples de 2% ao ano, com a Selic funcionando como teto quando essa soma a ultrapassa.
O ponto sensível é o tempo: enquanto a RPV tem prazo curto, o precatório do INSS pode levar anos entre a expedição e o efetivo pagamento, o que leva muitos aposentados e servidores a avaliar alternativas como a cessão do crédito para receber à vista.
O que são os atrasados do INSS e quem tem direito a receber
Os chamados atrasados do INSS são valores retroativos que a Previdência Social deve ao segurado quando reconhece, administrativa ou judicialmente, que um benefício deveria ter sido pago em data anterior ao efetivo início do pagamento. Na prática, correspondem à diferença entre o que o beneficiário recebeu (ou deixou de receber) e o que teria direito desde o marco inicial fixado no processo, acrescida de correção monetária e juros.
Têm direito a receber esses valores, entre outros: aposentados que tiveram o benefício negado indevidamente e depois concedido na Justiça; pensionistas cuja pensão por morte foi reconhecida com data retroativa ao óbito; segurados que obtiveram auxílio-doença, aposentadoria por incapacidade permanente, BPC/LOAS ou salário-maternidade após revisão administrativa ou sentença judicial; e beneficiários que ganharam ações de revisão de aposentadoria, como a revisão da vida toda ou revisão do teto. Também entram nessa categoria diferenças reconhecidas em ações que corrigem o valor do benefício desde a Data de Início do Benefício (DIB).
Em resumo: sempre que houver reconhecimento — administrativo ou judicial — de que o INSS pagou a menos ou deveria ter começado a pagar antes, existe um crédito retroativo a ser quitado. É esse crédito que costuma se transformar em precatório ou em RPV, dependendo do valor.
Como funciona o pagamento dos atrasados do INSS na prática
Quando a decisão judicial contra o INSS transita em julgado (ou seja, não cabe mais recurso), o juiz expede uma requisição de pagamento à Justiça Federal. A partir daí, o valor pode seguir por dois caminhos distintos: precatório ou Requisição de Pequeno Valor (RPV). O critério é objetivo — o valor total devido ao credor na data da expedição.
Pagamento via precatório: o que é e como funciona
O precatório é a ordem judicial de pagamento expedida contra a Fazenda Pública quando o valor devido supera 60 salários mínimos (no caso da União, referência aplicável ao INSS). Ele é apresentado ao tribunal competente e, se protocolado até 1º de fevereiro, entra no orçamento do exercício seguinte, conforme a nova redação do §5º do art. 100 da Constituição dada pela EC 136/2025. Precatórios apresentados após essa data só ingressam no orçamento do segundo exercício seguinte, o que costuma significar um ou dois anos adicionais de espera.
Os valores são atualizados por IPCA acrescido de juros simples de 2% ao ano sobre o principal. Se a soma IPCA + 2% superar a Selic no período, aplica-se a Selic como teto — regra fixada pela EC 136/2025 e detalhada pelo Provimento CNJ 207/2025. Para entender o fluxo específico dos créditos previdenciários, vale a leitura sobre como é pago o precatório do INSS.
Pagamento via Requisição de Pequeno Valor (RPV): quando se aplica
A RPV é o instrumento usado quando o crédito judicial é igual ou inferior a 60 salários mínimos. O prazo legal para pagamento é de 60 dias corridos contados da requisição regularmente formalizada pelo juízo à autoridade competente. Se descumprido, o credor pode requerer o sequestro do valor.
A RPV é, portanto, muito mais rápida que o precatório e concentra a maior parte dos pagamentos previdenciários — a maioria das ações judiciais contra o INSS envolve valores dentro desse limite. O beneficiário recebe por depósito em conta indicada nos autos.
Qual é o prazo para receber os atrasados após a sentença judicial
Depois do trânsito em julgado, ainda há etapas processuais: fase de cumprimento de sentença, elaboração e homologação dos cálculos, expedição da requisição e inclusão em lista de pagamento. No fluxo típico, uma RPV costuma ser quitada entre 2 e 6 meses. Já o precatório, se apresentado até 1º de fevereiro, será pago ao longo do exercício seguinte — o que significa, na prática, uma espera que pode variar de aproximadamente 12 a 24 meses somente a partir da requisição, sem contar a tramitação anterior. Para uma leitura mais aprofundada dos prazos, consulte quando serão pagos os atrasados do INSS em 2025.
A partir de quando os atrasados do INSS são contados: data de entrada do requerimento ou da citação
Uma dúvida frequente é: os atrasados começam a contar da data do pedido administrativo (DER — Data de Entrada do Requerimento) ou apenas da citação do INSS no processo? A resposta influencia diretamente o volume de valores retroativos a receber.
Entenda a proposta do STJ sobre o marco inicial dos atrasados
A jurisprudência consolidada aponta que, havendo prévio requerimento administrativo negado ou não analisado adequadamente, os atrasados são devidos desde a DER. Quando não há requerimento administrativo prévio — hipótese hoje mais rara, dada a exigência de interesse de agir firmada pelo STF —, o marco tende a ser a citação. A discussão continua sendo objeto de refinamento pelas cortes superiores, especialmente em benefícios por incapacidade, em que a data de início pode retroagir à cessação indevida ou à data do laudo pericial que constatou a incapacidade em momento anterior.
Como a data de início afeta o valor total a receber
Cada mês a mais no cômputo retroativo representa uma parcela integral do benefício, corrigida por IPCA e acrescida de juros simples de 2% ao ano (limitados à Selic, quando aplicável). Em benefícios que demoraram anos para serem concedidos, a diferença entre contar a partir da DER ou da citação pode significar dezenas de milhares de reais. Por isso, o pedido inicial da ação e a documentação do requerimento administrativo são pontos críticos — e frequentemente objeto de recálculo em ações revisionais.
Liberações recentes da Justiça para pagamento de atrasados do INSS em 2025 e 2026
O Conselho da Justiça Federal (CJF) tem divulgado, ao longo do ano, autorizações de pagamento de precatórios e RPVs federais aos Tribunais Regionais Federais. Essas liberações concentram valores relativos a ações previdenciárias, tributárias e administrativas, e são o momento em que o dinheiro efetivamente chega à conta do beneficiário.
Quem recebe nas liberações autorizadas pelo CJF e TRFs
Cada liberação contempla os credores cujos processos já tiveram a requisição incluída na lista orçamentária correspondente. Para precatórios federais apresentados até 1º de fevereiro, o pagamento ocorre ao longo do exercício seguinte. As RPVs seguem calendário próprio, com repasses mensais aos TRFs, que então distribuem aos credores dentro do prazo de 60 dias. A distribuição respeita a jurisdição dos tribunais: TRF1 (AC, AP, AM, BA, DF, GO, MA, MT, PA, PI, RO, RR, TO), TRF2 (RJ, ES), TRF3 (SP, MS), TRF4 (RS, SC, PR), TRF5 (AL, CE, PB, PE, RN, SE) e TRF6 (MG).
Como consultar se você está na lista de beneficiários das liberações
A consulta é feita nos portais dos TRFs, mediante o número do processo, CPF ou nome do credor. O CJF também disponibiliza sistema unificado para verificação de precatórios e RPVs federais. O advogado tem acesso direto aos autos e ao andamento processual. Um passo a passo detalhado está disponível em como consultar o pagamento de precatório do INSS e em como saber quando o INSS vai pagar os atrasados.
Como pagar contribuições previdenciárias atrasadas ao INSS (INSS retroativo)
Um ponto importante — e muitas vezes confundido com o tema anterior — é o pagamento de contribuições previdenciárias em atraso, também chamado de INSS retroativo. Aqui não se trata de receber do INSS, mas sim de recolher valores que deveriam ter sido pagos no passado para fins de tempo de contribuição e futura aposentadoria.
Quem pode pagar o INSS retroativo e em quais situações
Podem regularizar contribuições em atraso, entre outros: contribuintes individuais (autônomos), facultativos que tiveram períodos sem recolhimento, MEIs, empregados domésticos e trabalhadores rurais em regime de economia familiar (com regras específicas). Nem todos os períodos são passíveis de recolhimento retroativo — a regra geral limita a cinco anos, exceto quando há comprovação de exercício de atividade remunerada no período, hipótese em que a indenização é possível mediante cálculo próprio.
Passo a passo para regularizar contribuições atrasadas junto ao INSS
- Identifique os períodos em aberto no extrato do CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), disponível no Meu INSS.
- Reúna documentos que comprovem a atividade exercida no período (contratos, notas fiscais, declarações).
- Solicite ao INSS, se o período for superior a cinco anos, o cálculo de indenização.
- Emita a Guia da Previdência Social (GPS) com o código correto de categoria.
- Efetue o pagamento e conserve os comprovantes, que servirão para futura averbação de tempo de contribuição.
Cálculo de juros e multa sobre contribuições previdenciárias em atraso
Sobre as contribuições em atraso incidem juros pela taxa Selic acumulada desde o mês seguinte ao vencimento até o mês anterior ao pagamento, mais 1% no mês do pagamento, além de multa de mora de 0,33% por dia de atraso, limitada a 20%. Em recolhimentos com base em indenização (períodos anteriores a cinco anos), a alíquota aplicável depende da categoria e da data do recolhimento, e o cálculo é feito pelo próprio INSS.
Imposto de Renda sobre atrasados do INSS: como declarar precatórios e RPVs
Valores recebidos como atrasados do INSS têm natureza de rendimento tributável — exceto quando o benefício em si é isento (como aposentadoria por moléstia grave prevista em lei). Como se trata, em regra, de valores acumulados relativos a anos anteriores, a legislação prevê tratamento específico.
Tributação dos valores recebidos de uma só vez: regra do RRA
Aplica-se o regime dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA), previsto no art. 12-A da Lei 7.713/88. Na prática, o imposto é calculado com base no número de meses a que se referem os valores, evitando que o contribuinte seja tributado como se tivesse recebido tudo em um único mês. O contribuinte pode optar pela tributação exclusiva na fonte (regra padrão do RRA) ou pelo ajuste anual, escolhendo o regime mais favorável na declaração.
Como lançar os atrasados do INSS na declaração do Imposto de Renda 2026
Na declaração, os valores devem ser informados na ficha “Rendimentos Recebidos Acumuladamente”, com o número de meses correspondente, a fonte pagadora (INSS ou o ente responsável pelo precatório) e o imposto retido. Honorários advocatícios pagos podem ser deduzidos na proporção dos rendimentos tributáveis. Um guia completo sobre esse ponto está em como declarar atrasados do INSS.
Como acompanhar o andamento do seu processo de atrasados do INSS
Consulta pelo número do processo nos portais dos TRFs e Justiça Federal
Todos os TRFs disponibilizam consulta processual online pelo número CNJ. Além disso, o CJF mantém sistema de consulta unificada de precatórios e RPVs federais, em que é possível verificar a fase da requisição, valor bruto, valor líquido, retenções e data prevista de pagamento. O credor precisa apenas do número do processo ou do CPF cadastrado nos autos.
Papel do advogado previdenciário no recebimento dos atrasados
O advogado é peça central em todas as etapas: propõe a ação, acompanha o cumprimento de sentença, homologa cálculos, requer a expedição do precatório ou RPV e acompanha o pagamento. Também orienta o cliente sobre alternativas legítimas, como a cessão de crédito — mecanismo pelo qual o credor vende seu precatório a um terceiro e recebe o valor à vista, sem precisar aguardar o cronograma orçamentário.
Nessa modalidade, empresas especializadas como a Bandeira Investimentos avaliam o crédito, estruturam a operação com segurança jurídica e efetuam o pagamento à vista no ato da assinatura da escritura de cessão em cartório, respeitando integralmente os honorários contratuais do advogado. É uma alternativa para quem tem uma necessidade imediata e não pode aguardar a fila oficial.
Perguntas frequentes sobre atrasados do INSS
Quanto tempo demora para receber os atrasados do INSS após a decisão judicial?
Depende da modalidade. Em RPV, o prazo legal é de 60 dias corridos após a requisição. Em precatório, se apresentado até 1º de fevereiro, o pagamento ocorre ao longo do exercício seguinte, o que pode significar de 12 a 24 meses. A cessão de crédito é a via para antecipar esse recebimento.
Os atrasados do INSS são pagos de uma vez ou parcelados?
Em regra, são pagos em parcela única, tanto na modalidade RPV quanto em precatório. O valor cai integralmente na conta indicada nos autos, já descontados o imposto de renda retido na fonte e eventuais honorários contratuais.
Qual é o limite de valor para receber por RPV em vez de precatório?
No âmbito federal — que é onde tramitam as ações contra o INSS —, o limite é de 60 salários mínimos por credor. Créditos acima desse valor seguem obrigatoriamente o rito do precatório.
Posso receber atrasados do INSS sem entrar na Justiça?
Sim. Quando o próprio INSS reconhece administrativamente o direito — em revisões de ofício, resposta a requerimento ou cumprimento de decisões coletivas —, os atrasados são pagos na via administrativa, geralmente em folha, junto com o benefício. Nos casos em que o INSS resiste, a via judicial é necessária.
O que acontece com os atrasados do INSS em caso de falecimento do beneficiário?
Os valores integram o espólio e são transmitidos aos herdeiros. Havendo inventário em curso, o crédito é habilitado nos autos; havendo apenas dependentes habilitados perante o INSS, é possível o levantamento por alvará judicial, observadas as regras da Lei 6.858/80.
Como saber se tenho direito a atrasados do INSS?
É preciso analisar o histórico do benefício (extrato do CNIS, carta de concessão, cálculos) e verificar se houve erro no valor, atraso na concessão ou hipótese de revisão aplicável — como a revisão de aposentadoria ou a revisão da aposentadoria por invalidez. Um advogado previdenciário faz essa triagem.
Os atrasados do INSS têm correção monetária e juros? Como são calculados?
Sim. Desde a EC 136/2025 e o Provimento CNJ 207/2025, a atualização é feita por IPCA acrescido de juros simples de 2% ao ano sobre o principal. Se a soma IPCA + 2% superar a taxa Selic no período, aplica-se a Selic como teto. Não se usa mais a Selic como índice único para créditos a partir de agosto/setembro de 2025.



