{"id":785,"date":"2026-06-26T17:27:38","date_gmt":"2026-06-26T17:27:38","guid":{"rendered":"https:\/\/bandeirainvestimentos.com.br\/blog\/como-contabilizar-factoring\/"},"modified":"2026-09-27T14:33:28","modified_gmt":"2026-09-27T14:33:28","slug":"como-contabilizar-factoring","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/bandeirainvestimentos.com.br\/blog\/como-contabilizar-factoring\/","title":{"rendered":"Como contabilizar factoring"},"content":{"rendered":"<p>Contabilizar uma opera\u00e7\u00e3o de factoring exige aten\u00e7\u00e3o a dois eixos: o reconhecimento da cess\u00e3o de cr\u00e9dito (baixa do receb\u00edvel original) e o registro do des\u00e1gio como despesa financeira no resultado do exerc\u00edcio. Saber <strong>como contabilizar factoring<\/strong> de forma correta \u00e9 o que diferencia um lan\u00e7amento que apenas &#8220;fecha o caixa&#8221; de uma escritura\u00e7\u00e3o que reflete, com fidelidade, a antecipa\u00e7\u00e3o de receb\u00edveis, o custo da opera\u00e7\u00e3o e os impactos tribut\u00e1rios sobre PIS, Cofins, IRPJ e CSLL.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, a empresa cedente d\u00e1 baixa nas duplicatas ou nos direitos credit\u00f3rios cedidos, registra o valor l\u00edquido recebido em conta de disponibilidades e reconhece a diferen\u00e7a como despesa financeira (des\u00e1gio), sem confundir a opera\u00e7\u00e3o com um empr\u00e9stimo banc\u00e1rio \u2014 afinal, no factoring n\u00e3o h\u00e1 d\u00edvida a pagar, e sim venda definitiva de cr\u00e9dito, o que altera completamente a classifica\u00e7\u00e3o no balan\u00e7o e a apura\u00e7\u00e3o de tributos.<\/p>\n<p>A seguir, detalhamos o plano de contas recomendado, os lan\u00e7amentos de d\u00e9bito e cr\u00e9dito em cada etapa, o tratamento do des\u00e1gio, a documenta\u00e7\u00e3o que sustenta a opera\u00e7\u00e3o perante o Fisco e os pontos de aten\u00e7\u00e3o que costumam gerar autua\u00e7\u00e3o \u2014 especialmente quando a cess\u00e3o envolve cr\u00e9ditos judiciais, direitos credit\u00f3rios e opera\u00e7\u00f5es de fomento mercantil estruturadas com seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 Factoring e como funciona a opera\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil<\/h2>\n<p>O factoring, tamb\u00e9m chamado de fomento mercantil, \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o comercial na qual uma empresa (cedente) transfere seus direitos credit\u00f3rios \u2014 em geral duplicatas, cheques e outros t\u00edtulos representativos de vendas a prazo \u2014 a uma faturizadora, recebendo em troca pagamento \u00e0 vista mediante aplica\u00e7\u00e3o de des\u00e1gio. Sob a \u00f3tica cont\u00e1bil, configura-se uma <strong>cess\u00e3o definitiva de cr\u00e9dito<\/strong>, com transfer\u00eancia de titularidade e, na maior parte dos casos, dos riscos associados ao inadimplemento do sacado. Essa natureza jur\u00eddica \u00e9 o que distingue o instituto de um simples empr\u00e9stimo e determina toda a l\u00f3gica de escritura\u00e7\u00e3o: n\u00e3o h\u00e1 capta\u00e7\u00e3o de recursos com obriga\u00e7\u00e3o de devolu\u00e7\u00e3o, mas sim aliena\u00e7\u00e3o de ativos circulantes a valor presente.<\/p>\n<p>A escritura\u00e7\u00e3o adequada exige observar tr\u00eas elementos centrais: a baixa do t\u00edtulo cedido do ativo da cedente, o reconhecimento da despesa financeira correspondente ao des\u00e1gio (fator de compra) e o ingresso de caixa pelo valor l\u00edquido recebido. Para a faturizadora, a l\u00f3gica se inverte \u2014 o t\u00edtulo passa a integrar seu ativo, e o des\u00e1gio \u00e9 apropriado como receita operacional ao longo do tempo ou no momento do recebimento, conforme o regime adotado. Por se tratar de uma modalidade derivada da <a href=\"https:\/\/bandeirainvestimentos.com.br\/blog\/o-que-e-cessao-de-credito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cess\u00e3o de cr\u00e9dito<\/a>, a opera\u00e7\u00e3o se submete aos arts. 286 a 298 do C\u00f3digo Civil e \u00e0s normas dos CPC 38\/48 quando aplic\u00e1veis.<\/p>\n<h3>Diferen\u00e7a entre Factoring (Fomento Mercantil) e Desconto de Duplicatas<\/h3>\n<p>Apesar de economicamente semelhantes, factoring e desconto banc\u00e1rio de duplicatas s\u00e3o institutos cont\u00e1bil e juridicamente distintos. No desconto banc\u00e1rio, configura-se uma <strong>opera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito<\/strong>: o banco antecipa o valor da duplicata e mant\u00e9m o direito de regresso contra a cedente em caso de inadimpl\u00eancia. Sob o ponto de vista cont\u00e1bil, a duplicata permanece no ativo (ou \u00e9 controlada em conta retificadora) e o valor recebido \u00e9 registrado como obriga\u00e7\u00e3o financeira no passivo. J\u00e1 no factoring convencional, a cess\u00e3o \u00e9 definitiva e sem direito de regresso: a faturizadora assume o risco de cr\u00e9dito, a duplicata sai do ativo da cedente e o des\u00e1gio \u00e9 reconhecido integralmente como despesa financeira no momento da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o tem consequ\u00eancias fiscais e regulat\u00f3rias: a faturizadora n\u00e3o \u00e9 institui\u00e7\u00e3o financeira (n\u00e3o est\u00e1 submetida ao BACEN), e a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera IOF pela mesma sistem\u00e1tica do cr\u00e9dito banc\u00e1rio. Ignorar tal diferen\u00e7a \u00e9 o equ\u00edvoco mais frequente na escritura\u00e7\u00e3o e produz distor\u00e7\u00f5es relevantes no balan\u00e7o, no resultado e na apura\u00e7\u00e3o de tributos.<\/p>\n<h3>Tipos de opera\u00e7\u00f5es de Factoring: convencional, maturity, trustee e exporta\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<ul>\n<li><strong>Convencional (conventional factoring):<\/strong> aquisi\u00e7\u00e3o \u00e0 vista de direitos credit\u00f3rios, com pagamento imediato \u00e0 cedente e assun\u00e7\u00e3o do risco pela faturizadora. \u00c9 a modalidade mais usual e a base do tratamento cont\u00e1bil padr\u00e3o.<\/li>\n<li><strong>Maturity factoring:<\/strong> a faturizadora administra a carteira e paga a cedente apenas no vencimento dos t\u00edtulos, sem antecipa\u00e7\u00e3o financeira. Predomina o componente de gest\u00e3o de cobran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao de liquidez.<\/li>\n<li><strong>Trustee:<\/strong> envolve a gest\u00e3o financeira ampla da cedente \u2014 contas a pagar, contas a receber e fluxo de caixa \u2014, agregando consultoria \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de fomento.<\/li>\n<li><strong>Factoring de exporta\u00e7\u00e3o:<\/strong> aquisi\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos decorrentes de vendas ao exterior, com quest\u00f5es cambiais, contratuais e cont\u00e1beis adicionais (varia\u00e7\u00e3o cambial, contratos de c\u00e2mbio, registro no Siscomex).<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Como contabilizar Factoring na empresa cedente (quem vende os receb\u00edveis)<\/h2>\n<p>Na cedente, a escritura\u00e7\u00e3o do factoring parte da premissa de que houve <strong>aliena\u00e7\u00e3o definitiva do ativo<\/strong>. O t\u00edtulo cedido deixa de ser direito da empresa, e a diferen\u00e7a entre o valor de face e o valor l\u00edquido recebido representa uma despesa financeira do per\u00edodo. N\u00e3o se trata de empr\u00e9stimo e, portanto, nada deve ser registrado no passivo a t\u00edtulo de obriga\u00e7\u00e3o com a faturizadora \u2014 ressalvados eventuais valores retidos em conta-garantia, quando previstos em contrato.<\/p>\n<h3>Lan\u00e7amento cont\u00e1bil da venda de duplicatas \u00e0 empresa de Factoring<\/h3>\n<p>O registro b\u00e1sico envolve tr\u00eas contas: <em>Bancos Conta Movimento<\/em> (D), pelo valor l\u00edquido recebido; <em>Despesas Financeiras \u2013 Des\u00e1gio de Factoring<\/em> (D), pelo fator de compra retido; e <em>Duplicatas a Receber<\/em> (C), pelo valor de face do t\u00edtulo cedido. A documenta\u00e7\u00e3o suporte deve incluir o contrato de fomento mercantil, o border\u00f4 da opera\u00e7\u00e3o e o termo de cess\u00e3o espec\u00edfico do t\u00edtulo, em l\u00f3gica an\u00e1loga \u00e0 <a href=\"https:\/\/bandeirainvestimentos.com.br\/blog\/o-que-e-carta-de-cessao-de-credito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">carta de cess\u00e3o de cr\u00e9dito<\/a> utilizada em outras opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Registro do des\u00e1gio (fator de compra) como despesa financeira<\/h3>\n<p>O des\u00e1gio \u2014 tamb\u00e9m denominado fator de compra \u2014 corresponde \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o da faturizadora pelos servi\u00e7os prestados, pelo risco assumido e pelo custo de oportunidade do capital antecipado. Em termos cont\u00e1beis, deve figurar em conta de <strong>despesa financeira<\/strong> no grupo de Resultado, jamais como abatimento da receita bruta de vendas. Trat\u00e1-lo como redutor de receita distorce o faturamento declarado, gera inconsist\u00eancias na apura\u00e7\u00e3o de PIS, COFINS e ICMS e est\u00e1 entre as causas mais frequentes de autua\u00e7\u00e3o fiscal nesse tipo de opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Baixa das duplicatas a receber no Ativo Circulante<\/h3>\n<p>A duplicata cedida em factoring convencional sem coobriga\u00e7\u00e3o deve ser <strong>baixada integralmente<\/strong> da conta Duplicatas a Receber. N\u00e3o cabe mant\u00ea-la registrada com conta retificadora (como se fosse desconto banc\u00e1rio), uma vez que a titularidade do cr\u00e9dito foi efetivamente transferida. Quando o contrato prev\u00ea coobriga\u00e7\u00e3o ou direito de regresso parcial, registra-se uma <em>conta de compensa\u00e7\u00e3o<\/em> ou divulga-se em nota explicativa o passivo contingente, conforme o CPC 25.<\/p>\n<h3>Exemplo pr\u00e1tico com d\u00e9bitos e cr\u00e9ditos: passo a passo dos lan\u00e7amentos<\/h3>\n<p>Suponha que a empresa Alfa ceda \u00e0 faturizadora Beta uma duplicata de R$ 100.000,00, com des\u00e1gio de 4% (R$ 4.000,00), recebendo l\u00edquidos R$ 96.000,00:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>D<\/strong> Bancos Conta Movimento &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. R$ 96.000,00<\/li>\n<li><strong>D<\/strong> Despesas Financeiras \u2013 Des\u00e1gio Factoring &#8230;. R$ 4.000,00<\/li>\n<li><strong>C<\/strong> Duplicatas a Receber \u2013 Cliente X &#8230;&#8230;&#8230;. R$ 100.000,00<\/li>\n<\/ol>\n<p>Hist\u00f3rico sugerido: &#8220;Cess\u00e3o de duplicata n\u00ba XXX, sacado Cliente X, conforme contrato de fomento mercantil e border\u00f4 n\u00ba YYY, com des\u00e1gio de R$ 4.000,00.&#8221; A partir desse registro, a Alfa n\u00e3o tem mais nada a receber do Cliente X \u2014 quem cobra \u00e9 a Beta. Essa mesma l\u00f3gica de baixa e reconhecimento de despesa financeira aparece em opera\u00e7\u00f5es de <a href=\"https:\/\/bandeirainvestimentos.com.br\/blog\/como-contabilizar-cessao-de-credito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">contabiliza\u00e7\u00e3o de cess\u00e3o de cr\u00e9dito<\/a> de qualquer natureza.<\/p>\n<h2>Como contabilizar receitas de faturiza\u00e7\u00e3o na empresa de Factoring (faturizadora)<\/h2>\n<p>Do lado da faturizadora, a opera\u00e7\u00e3o se inverte: ela adquire o t\u00edtulo por valor inferior ao de face e tem como receita justamente a diferen\u00e7a entre o que pagou \u00e0 cedente e o que receber\u00e1 do sacado no vencimento. A escritura\u00e7\u00e3o precisa segregar com clareza o ativo adquirido, a receita auferida e as provis\u00f5es necess\u00e1rias para perdas.<\/p>\n<h3>Registro da compra dos t\u00edtulos no Ativo da faturizadora<\/h3>\n<p>O t\u00edtulo adquirido entra no ativo da faturizadora pelo <strong>valor de face<\/strong>, em conta espec\u00edfica como &#8220;T\u00edtulos Adquiridos por Factoring&#8221; ou &#8220;Direitos Credit\u00f3rios Adquiridos&#8221;. A diferen\u00e7a entre o valor pago e o de face \u00e9 registrada como receita de faturiza\u00e7\u00e3o (em conta de resultado) ou como receita diferida a apropriar (no passivo), a depender da pol\u00edtica cont\u00e1bil adotada e do prazo at\u00e9 o vencimento.<\/p>\n<h3>Reconhecimento da receita de faturiza\u00e7\u00e3o (des\u00e1gio auferido)<\/h3>\n<p>A receita de faturiza\u00e7\u00e3o \u00e9 operacional e deve compor o resultado bruto da empresa de factoring. Em opera\u00e7\u00f5es de curto prazo, costuma ser reconhecida integralmente no momento da aquisi\u00e7\u00e3o; em prazos mais alongados, recomenda-se a apropria\u00e7\u00e3o <em>pro rata die<\/em>, em respeito ao regime de compet\u00eancia (CPC 30). A conta sugerida no plano \u00e9 &#8220;Receita Bruta de Faturiza\u00e7\u00e3o&#8221; ou &#8220;Receita de Fomento Mercantil&#8221;, com subcontas por modalidade (convencional, maturity, exporta\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<h3>Provis\u00e3o para cr\u00e9ditos de liquida\u00e7\u00e3o duvidosa nas opera\u00e7\u00f5es de Factoring<\/h3>\n<p>Como a faturizadora assume o risco de inadimpl\u00eancia do sacado, \u00e9 prudente \u2014 e contabilmente exigido pelo CPC 48 \u2014 constituir <strong>provis\u00e3o para perdas esperadas<\/strong> sobre a carteira de t\u00edtulos adquiridos. O c\u00e1lculo considera o hist\u00f3rico de inadimpl\u00eancia, a classifica\u00e7\u00e3o de risco do sacado e o prazo dos t\u00edtulos, sendo lan\u00e7ado a d\u00e9bito de despesa com PCLD e a cr\u00e9dito de conta retificadora do ativo (&#8220;Provis\u00e3o para Perdas em Direitos Credit\u00f3rios&#8221;).<\/p>\n<h3>Exemplo pr\u00e1tico de lan\u00e7amentos cont\u00e1beis na empresa de Factoring<\/h3>\n<p>Considerando a mesma opera\u00e7\u00e3o anterior, na faturizadora Beta:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>D<\/strong> T\u00edtulos Adquiridos por Factoring &#8230;&#8230;&#8230;&#8230; R$ 100.000,00<\/li>\n<li><strong>C<\/strong> Bancos Conta Movimento &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;. R$ 96.000,00<\/li>\n<li><strong>C<\/strong> Receita Bruta de Faturiza\u00e7\u00e3o &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. R$ 4.000,00<\/li>\n<\/ol>\n<p>Quando a pol\u00edtica for de diferimento da receita (em uma opera\u00e7\u00e3o com 60 dias para vencer, por exemplo), substitui-se &#8220;Receita Bruta de Faturiza\u00e7\u00e3o&#8221; por &#8220;Receita de Faturiza\u00e7\u00e3o a Apropriar&#8221; (passivo) e faz-se a apropria\u00e7\u00e3o mensal ao resultado.<\/p>\n<h2>Contabiliza\u00e7\u00e3o do pagamento de Factoring: recebimento dos t\u00edtulos no vencimento<\/h2>\n<p>O ciclo se encerra no vencimento, com o pagamento pelo sacado diretamente \u00e0 faturizadora \u2014 o que pressup\u00f5e sua notifica\u00e7\u00e3o formal acerca da cess\u00e3o, conforme exige o art. 290 do C\u00f3digo Civil. A <a href=\"https:\/\/bandeirainvestimentos.com.br\/blog\/o-que-e-notificacao-de-cessao-de-credito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">notifica\u00e7\u00e3o da cess\u00e3o de cr\u00e9dito<\/a> \u00e9 elemento indispens\u00e1vel de oponibilidade ao devedor e protege a faturizadora contra pagamentos feitos indevidamente \u00e0 cedente original.<\/p>\n<h3>Lan\u00e7amento do recebimento do sacado pela faturizadora<\/h3>\n<p>No recebimento integral pelo sacado, a faturizadora d\u00e1 baixa no t\u00edtulo do ativo:<\/p>\n<ol>\n<li><strong>D<\/strong> Bancos Conta Movimento &#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.. R$ 100.000,00<\/li>\n<li><strong>C<\/strong> T\u00edtulos Adquiridos por Factoring &#8230;&#8230;&#8230;. R$ 100.000,00<\/li>\n<\/ol>\n<p>Havendo juros e multa por atraso, esses valores s\u00e3o reconhecidos como receita financeira adicional, em conta separada da receita de faturiza\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n<h3>Tratamento cont\u00e1bil em caso de inadimpl\u00eancia do sacado<\/h3>\n<p>N\u00e3o havendo pagamento pelo sacado, e tratando-se de factoring sem coobriga\u00e7\u00e3o, a perda \u00e9 da faturizadora. Ap\u00f3s esgotadas as medidas de cobran\u00e7a e configurada a perda definitiva (segundo os crit\u00e9rios do art. 9\u00ba da Lei 9.430\/96), a baixa ocorre a d\u00e9bito da provis\u00e3o constitu\u00edda ou diretamente como despesa: <strong>D<\/strong> Perdas em Direitos Credit\u00f3rios \/ <strong>C<\/strong> T\u00edtulos Adquiridos por Factoring. Existindo coobriga\u00e7\u00e3o contratual, a faturizadora exerce o direito de regresso contra a cedente e registra cr\u00e9dito a receber dessa \u00faltima.<\/p>\n<h2>Enquadramento tribut\u00e1rio e fiscal das opera\u00e7\u00f5es de Factoring<\/h2>\n<p>A tributa\u00e7\u00e3o do factoring no Brasil segue regras pr\u00f3prias, que diferem tanto das aplic\u00e1veis \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras quanto das que regem as prestadoras de servi\u00e7o comuns. A empresa de fomento mercantil \u00e9 obrigatoriamente tributada pelo <strong>Lucro Real ou Lucro Presumido<\/strong> e est\u00e1 vedada de optar pelo Simples Nacional (LC 123\/2006, art. 17, XV).<\/p>\n<h3>Factoring no Lucro Presumido: como configurar e apurar corretamente<\/h3>\n<p>No Lucro Presumido, a base de c\u00e1lculo do IRPJ e da CSLL incide sobre o <strong>resultado da opera\u00e7\u00e3o<\/strong> (des\u00e1gio + comiss\u00f5es + ad valorem), e n\u00e3o sobre o valor de face dos t\u00edtulos adquiridos. Os percentuais de presun\u00e7\u00e3o aplic\u00e1veis s\u00e3o os de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os: 32% para IRPJ e 32% para CSLL sobre a receita bruta de faturiza\u00e7\u00e3o. Configurar a atividade como receita bruta de venda de mercadorias (8% e 12%) \u00e9 erro grave e enseja autua\u00e7\u00e3o. PIS e COFINS no Presumido s\u00e3o cumulativos: 0,65% e 3% sobre a receita bruta de faturiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Incid\u00eancia de IOF, PIS, COFINS e ISS nas opera\u00e7\u00f5es de Factoring<\/h3>\n<ul>\n<li><strong>IOF:<\/strong> incide nas opera\u00e7\u00f5es de factoring desde 2004 (Decreto 6.306\/07), em al\u00edquotas pr\u00f3ximas \u00e0s do cr\u00e9dito banc\u00e1rio, sendo recolhido pela faturizadora.<\/li>\n<li><strong>PIS e COFINS:<\/strong> incidem sobre a receita bruta de faturiza\u00e7\u00e3o (des\u00e1gio + comiss\u00f5es), nas al\u00edquotas do regime adotado.<\/li>\n<li><strong>ISS:<\/strong> incide sobre a atividade de fomento mercantil conforme o item 10.04 da lista anexa \u00e0 LC 116\/2003, com al\u00edquota definida pelo munic\u00edpio do estabelecimento prestador (geralmente entre 2% e 5%).<\/li>\n<li><strong>IRPJ e CSLL:<\/strong> sobre o lucro real ou presumido, conforme o regime de tributa\u00e7\u00e3o adotado.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Diferen\u00e7a tribut\u00e1ria entre Factoring e institui\u00e7\u00e3o financeira<\/h3>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es financeiras recolhem PIS e COFINS pela sistem\u00e1tica pr\u00f3pria do setor financeiro (com al\u00edquotas e bases distintas), pagam CSLL com al\u00edquota majorada e est\u00e3o sujeitas \u00e0 supervis\u00e3o do BACEN. A empresa de factoring, por sua vez, \u00e9 uma <strong>empresa comercial<\/strong>, registrada nas juntas comerciais e fiscalizada pela Receita Federal e pelos munic\u00edpios \u2014 n\u00e3o capta recursos do p\u00fablico, opera com capital pr\u00f3prio e, por isso, tem carga tribut\u00e1ria e regulat\u00f3ria diferenciada. Confundir os dois regimes \u00e9 fonte recorrente de problemas em fiscaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2>Plano de contas sugerido para opera\u00e7\u00f5es de Factoring<\/h2>\n<p>Um plano de contas bem estruturado \u00e9 a base de uma escritura\u00e7\u00e3o audit\u00e1vel e fiscalmente segura nas opera\u00e7\u00f5es de fomento mercantil. A segrega\u00e7\u00e3o por natureza viabiliza an\u00e1lises gerenciais, c\u00e1lculo correto de tributos e atendimento eficiente a fiscaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Contas do Ativo: t\u00edtulos adquiridos, cr\u00e9ditos a receber e provis\u00f5es<\/h3>\n<ul>\n<li>1.1.3.01 \u2013 T\u00edtulos Adquiridos por Factoring \u2013 Duplicatas<\/li>\n<li>1.1.3.02 \u2013 T\u00edtulos Adquiridos por Factoring \u2013 Cheques<\/li>\n<li>1.1.3.03 \u2013 Direitos Credit\u00f3rios Diversos<\/li>\n<li>1.1.3.04 \u2013 Adiantamentos a Cedentes<\/li>\n<li>(\u2013) 1.1.3.99 \u2013 Provis\u00e3o para Perdas em Direitos Credit\u00f3rios (retificadora)<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Contas de Resultado: receitas de faturiza\u00e7\u00e3o e despesas financeiras<\/h3>\n<ul>\n<li>3.1.1.01 \u2013 Receita Bruta de Faturiza\u00e7\u00e3o \u2013 Convencional<\/li>\n<li>3.1.1.02 \u2013 Receita Bruta de Faturiza\u00e7\u00e3o \u2013 Maturity<\/li>\n<li>3.1.1.03 \u2013 Receita de Comiss\u00f5es Ad Valorem<\/li>\n<li>3.1.2.01 \u2013 Receitas Financeiras de Juros e Multas<\/li>\n<li>4.1.5.01 \u2013 Despesas com PCLD<\/li>\n<li>4.1.5.02 \u2013 Perdas Efetivas em Direitos Credit\u00f3rios<\/li>\n<li>4.2.1.01 \u2013 Tributos sobre Receita de Faturiza\u00e7\u00e3o (PIS, COFINS, ISS)<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Erros mais comuns ao contabilizar Factoring e como evit\u00e1-los<\/h2>\n<p>A maior parte das inconsist\u00eancias na escritura\u00e7\u00e3o do fomento mercantil decorre da aplica\u00e7\u00e3o incorreta da natureza jur\u00eddica da opera\u00e7\u00e3o. A seguir, os tr\u00eas equ\u00edvocos mais relevantes e suas respectivas corre\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Confundir Factoring com empr\u00e9stimo banc\u00e1rio nos lan\u00e7amentos<\/h3>\n<p>Tratar a entrada de caixa como financiamento \u2014 registrando contrapartida no passivo como se houvesse obriga\u00e7\u00e3o de devolver o valor \u2014 \u00e9 o erro mais grave. O efeito \u00e9 duplo: infla o passivo (aumentando indevidamente o endividamento aparente da empresa) e mant\u00e9m no ativo um t\u00edtulo que j\u00e1 n\u00e3o pertence \u00e0 cedente, distorcendo indicadores de liquidez e o c\u00e1lculo de tributos sobre o resultado.<\/p>\n<h3>N\u00e3o segregar o des\u00e1gio da receita bruta de vendas<\/h3>\n<p>Quitar a duplicata pelo valor recebido (R$ 96 mil, no exemplo) sem registrar o des\u00e1gio em conta pr\u00f3pria reduz indevidamente a receita bruta. Al\u00e9m de distorcer o faturamento e os indicadores de margem, isso afeta a apura\u00e7\u00e3o de PIS, COFINS e ICMS, podendo ensejar autua\u00e7\u00e3o por omiss\u00e3o de receita. O correto \u00e9 sempre dar baixa pelo valor de face e alocar o des\u00e1gio em conta de despesa financeira.<\/p>\n<h3>Manter duplicatas cedidas no Ativo ap\u00f3s a transfer\u00eancia de risco<\/h3>\n<p>Em factoring convencional sem coobriga\u00e7\u00e3o, a duplicata <strong>n\u00e3o pode permanecer no ativo<\/strong> da cedente. Manter o t\u00edtulo registrado, ainda que com conta retificadora, viola o princ\u00edpio da ess\u00eancia sobre a forma (CPC 00) e o regime de derecognition do CPC 48, distorcendo o balan\u00e7o e gerando dupla contagem patrimonial. S\u00f3 permanece no ativo, com nota explicativa, quando houver coobriga\u00e7\u00e3o contratual relevante.<\/p>\n<h2>Perguntas Frequentes sobre como contabilizar Factoring<\/h2>\n<h3>FAQ: O des\u00e1gio pago ao Factoring \u00e9 dedut\u00edvel do Imposto de Renda?<\/h3>\n<p>Sim. O des\u00e1gio pago \u00e0 faturizadora \u00e9 considerado <strong>despesa financeira operacional<\/strong> da cedente e, como tal, \u00e9 integralmente dedut\u00edvel na apura\u00e7\u00e3o do Lucro Real, desde que a opera\u00e7\u00e3o esteja devidamente documentada (contrato de fomento, border\u00f4, notas fiscais correspondentes \u00e0s duplicatas cedidas) e que a cedente esteja no regime de Lucro Real. No Lucro Presumido, a dedu\u00e7\u00e3o n\u00e3o produz efeito direto sobre a base, j\u00e1 que a apura\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por percentual sobre a receita bruta \u2014 mas o registro cont\u00e1bil correto da despesa continua obrigat\u00f3rio para fins societ\u00e1rios e gerenciais.<\/p>\n<h3>FAQ: Duplicatas vendidas ao Factoring devem permanecer no balan\u00e7o da cedente?<\/h3>\n<p>N\u00e3o, como regra geral. Em uma opera\u00e7\u00e3o de factoring convencional, com cess\u00e3o definitiva e sem coobriga\u00e7\u00e3o, as duplicatas cedidas devem ser <strong>integralmente baixadas<\/strong> do ativo da cedente no momento da opera\u00e7\u00e3o, pois a titularidade do cr\u00e9dito e o risco de inadimpl\u00eancia foram transferidos \u00e0 faturizadora. A exce\u00e7\u00e3o fica por conta dos contratos com coobriga\u00e7\u00e3o ou direito de regresso relevante, hip\u00f3tese em que pode haver manuten\u00e7\u00e3o parcial no ativo ou registro como passivo contingente, com divulga\u00e7\u00e3o em nota explicativa nos termos do CPC 25 e CPC 48.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprenda como contabilizar factoring corretamente, registrando a cess\u00e3o de cr\u00e9dito e o des\u00e1gio para refletir a opera\u00e7\u00e3o com precis\u00e3o fiscal.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":1847,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-785","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-blog"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.5 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Como contabilizar factoring - 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